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Publicado em 01 de Março, 2019 por Fenando Teixeira

Vivemos tempos de redes Low Cost com os bolsos cheios vindo para cima das Academias Independentes. Problemas de competição anabolizados por uma crise longa e impactante.

Como os empreendedores têm reagido neste novo cenário competitivo? Muitos têm reagido com surpresa, se sentem sem escolha, não conseguem ver uma maneira de continuar relevantes no negócio. 

Aliás, conseguem! Arrumam um investidor, trocam as máquinas, fazem uma reforma e copiam o modelo Low Cost tem sido o sonho dourado dos empreendedores.

Convido você para fazer uma viagem por outras áreas da economia com problemas semelhantes. Por uns minutos gostaria que você fosse mentalmente um empreendedor em outra área.

Você tem um açougue tradicional e independente, ou seja, você é um pequeno empreendedor que, com seu próprio dinheiro, abriu uma unidade e vive dela. Faça agora uma imagem mental, feche seus olhos e pense em como seria o seu açougue. Qual o tamanho dele? Quantos funcionários? Que tipo de produtos? Como se parece o seu Cliente? Visualizou?

Quando você abriu seu açougue o mercado era diferente. Você procurou um bom ponto, equipou seu negócio com cuidado e dentro das suas posses. Contratou, treinou e começou a vender. Sua presença, seu carisma e a sua oferta foram aceitos pelos Clientes e subitamente você tinha um negócio. Você já vive do que retira de sua empresa e até chega a sonhar com uma segunda unidade. Até aqui tudo indo bem. E então um belo dia surge um supermercado de uma grande rede francesa. Ele se instala a 300 metros de distância do seu açougue e um de seus funcionários é contratado por eles.

Rapidamente você fica sabendo que eles terão um açougue de baixo custo. E assim entra no seu vocabulário o termo Low Cost.  Assim que eles inauguram você sente o impacto. Muitos de seus Clientes agora estão comprando carne na Low Cost com preços muito mais baixos. Pouco a pouco suas contas começam a ficar mais difíceis de pagar.

Como você faria para continuar a se manter relevante no mercado? Como fazer para não fechar as portas? Neste momento existem apenas dois cenários, se adaptar aos novos tempos e voltar a prosperar ou trilhar o caminho do fechamento.

A história do açougue que falei é real e ainda está sendo escrita. Fica muito perto da minha casa, o açougue Low Cost existe e eu mesmo sou um que compro nele e raramente compro no açougue independente. Tudo bem, eles não precisam de mim mesmo, pois estão muito bem e continuam relevantes e firmes no negócio. Não faltam Clientes para eles.

Sinceramente não conheço muito bem a história deles, mas consigo acompanhar pela internet e sei que eles estão lá desde muito tempo. Vou fazer uma leitura da situação, da maneira como vejo, não necessariamente da maneira mais precisa.

É um açougue muito pequeno, não tem uma instalação de luxo, mesmo para os padrões dos açougues independentes daqui de Brasília. Veja você mesmo:



Eles estão muito próximos do açougue Low Cost, segundo o Google Maps, estão a 220 metros de distância.

Tinham tudo para fechar, mas se adaptam desde o início, uma força que não se entrega. Algumas coisas que me parecem ser verdadeiras: 

  • O empreendedor vive do negócio, não é rico e nem tem sócios investidores e banqueiros; 
  • Eles mantém uma oferta diferente do outro açougue da multinacional, chamam de Cortes Especiais. Eu realmente nunca vi nenhum Corte Especial no concorrente deles; 
  • Na ausência de capital ele usou o que ele tinha e não ficou lamentando pelo que não tinha. Criatividade, energia, equipe e parcerias com a comunidade; 
  • Ele deu um significado muito mais amplo ao negócio ao adotar uma bandeira única. Eles são um açougue que apoia a CULTURA.

Neste final de semana tentei passar na frente do açougue e não consegui, pois havia uma barreira da polícia que interrompia a pista e todo o comércio.

Era o show anual que o açougue promove. A artista do dia era a Marina Lima com seu novo show "Três". Você leu certo, era A Marina Lima. Mas não pense que era uma ação enlouquecida que torrou todo o caixa do açougue. Veja a lista dos últimos anos: A Noite Cultural T-Bone é um evento anual, dos mais esperados pelo público. Já trouxe à capital grandes nomes da música: Ivan Lins, Milton Nascimento, Zé Ramalho, Alceu Valença, Zélia Duncan, Erasmo Carlos, Blitz, Elba Ramalho, Renato Teixeira e Antônio Nóbrega. Com mais de dez anos de existência, faz parte do Calendário Cultural oficial do Distrito Federal (Lei nº. 3.193, de 25 de setembro de 2003) e tem apoio da Secretaria de Cultura do DF e da Administração Regional de Brasília. Satisfeito? O dono não está satisfeito ainda. Ele abraçou a parceira para levar a Cultura para vários lugares do DF. Fez parceria com empresas gigantescas e montou duas Kombis da Cultura. Uma das parceiras é o Banco do Brasil e outra um enorme laboratório de análises clínicas daqui, o Sabin.

Satisfeito? Não se entregue, já perdi muito, mas muito mesmo em termos empresariais e estou agora fazendo parte de uma Startup vibrante, cheia de inovações e que fará a diferença na vida de nossos Clientes. Minhas sugestões são:  

  • Estude todo dia!  
  • Se prepare para ser empreendedor, não assuma que é normal não gostar de números, de gestão e muito menos de Clientes e Colaboradores;
  • Goste de sua equipe, é a lei da reciprocidade, se você não gosta deles eles não gostam de você;
  • Defina uma missão maior do que melhorar a estética das pessoas, esta é uma missão válida, mas pouco lucrativa;

E o mais importante:

Se associe com seus parceiros, seus vizinhos, outras empresas e até com a Low Cost. Tem espaço para todos, pois a missão é muito grande.

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